OS DESAFIOS DO NOVO PREFEITO DE JABOATÃO – César Ramos

Será uma tarefa difícil a oposição cobrar ações do prefeito eleito de Jaboatão pois ele conseguiu realizar a façanha de se eleger com um programa de governo completamente vago, que não cita números nem trata de forma objetiva os problemas da cidade. Alguém sabe dizer, por exemplo, quantas escolas ele criará? Quantas creches serão abertas? Quantas ruas irá pavimentar? Quantos novos médicos, guardas municipais ou professores serão contratados? Em quanto ele pretende ampliar a rede de esgoto, o ensino integral ou a cobertura do PSF? A verdade é que Anderson Ferreira “ganhou com a cara” e o único parâmetro analítico que poderemos utilizar para monitorar a sua gestão são os atuais indicadores socioeconômicos que ele recebe de herança. Contudo, há alguns desafios que, por sua natureza emergencial, o prefeito não poderá fugir. São eles:

1. CONTINUAR PROGRAMAS BEM SUCEDIDOS
Por mais críticas que se possa fazer ao governo de Elias Gomes, é inegável que existem ações pontuais louváveis e que o novo prefeito deverá ser capaz de dar continuidade, como é caso da implementação do sistema municipal de cultura, a rede de economia solidária e a manutenção dos índices da educação.

2. GOVERNAR COM UM CÂMARA CORRUPTA
A câmara dos vereadores é o “câncer de Jaboatão”. A “fauna” que povoa o legislativo municipal é repleta de parlamentares que passam quatro anos sem apresentarem sequer um único projeto de lei e mantém uma relação promíscua com o executivo. A quadrilha que foi desarticulada na operação “caixa de pandora” pode deixar ainda frutos podres que podem contaminar os “novos” vereadores eleitos. A mediocridade dos vereadores de Jaboatão não só é ruim para o prefeito como também é ruim para a cidade inteira. A oposição republicana e propositiva cumpre importante papel na democracia pois ao fiscalizar o governo aponta os erros e força a melhoria da gestão.

3. FUNCIONALISMO PÚBLICO
Há ainda pendências na contratação dos mais de 1.399 vagas do certame de 2015 onde foram selecionados servidores para as mais diversas áreas da gestão municipal, como saúde, educação, infraestrutura, meio ambiente, gestão e controle interno. Atualmente há mais de 3 mil servidores com contratos provisórios. A proposta de não utilizar o teto do número de comissionados é válida mas a máquina só funcionará com a valorização e o ganho da produtividade do setor público.

4. SEGURANÇA PÚBLICA
Tomar para si a responsabilidade com a segurança pública e retirar Jaboatão dos primeiros lugares dos índices de violência do estado. Aumentar o efetivo da guarda municipal e ampliar a área de cobertura por videomonitoramento por câmaras na cidade conforme prometido em campanha.

5. EDUCAÇÃO
Retirar a educação do aluguel. Hoje quase 40% das escolas funcionam em prédios (ou casas) alugados. Abrir vagas de creches na cidade. Hoje existem pouco mais de 3 creches para atender todo o Jaboatão. Temos um déficit de quase 50 mil alunos. Em campanha o prefeito prometeu copiar o modelo de “creche comunitária” que funciona no município de Petrolina.

6. SAÚDE
Concluir as obras da maternidade municipal e faze-la funcionar. Orçada em mais de 20 milhões a obra se arrasta em atraso de mais um ano e meio. Universalizar com qualidade a cobertura da estratégia saúde da família e retirar a cidade do vergonhoso mapa da Zica, da dengue e da microcefalia.

7. DESENVOLVIMENTO URBANO
Mais de um terço da população jaboatonense vive em favelas. A nossa taxa de saneamento básico é inferior a 5%, fato que nos coloca como a pior cidade do Nordeste e uma das piores do Brasil. O transporte complementar é tomado por quartéis e “milícias”, e as linha de ônibus municipais operam com ônibus sucateados e em horários limitados. Os mototaxistas nunca foram regulamentados e atuam sem nenhum controle. Há um projeto em andamento de privatizar os serviços de iluminação pública na cidade que prefeito terá de decidir. Há também obras de conjuntos habitacionais do minha casa minha vida que se arrastam há anos. Dezenas de pontos de alagamentos e áreas de riscos sem proteção dificultam o trânsito e retiram o sono, quando não a vida, de milhares de jaboatonses todo o inverno.

8. GESTÃO PÚBLICA, POLÍTICA FISCAL E TRANSPARÊNCIA
Todo governo que chega apenas amplia a dívida do município, nenhum preocupa-se em reduzi-la. É preciso ainda corrigir as injustiças da planta de valores do IPTU, ampliar a influência da indústria no PIB municipal, aplicar com eficiência o empréstimo de quase R$ 200 milhões em tramitação no congresso. Governar é eleger prioridades. Usará este dinheiro para construir um parque na orla de piedade enquanto o resto da cidade vive na lama? Jaboatão ganhou nota zero no quesito transparência. Publicizar os gastos, os salários de todos os contratados e prestar contas é a melhor forma de combater a corrupção.

9. POLÍTICAS SETORIAIS
Juntamente com a eleição do bispo Marcelo Crivela no Rio de Janeiro, Anderson Ferreira representa em Jaboatão a ascensão protestante ao poder executivo no país. Diante disto resta a expectativa de como será a efetivação de políticas públicas para segmentos excluídos como negros, mulheres, LGBTT, índios e quilombolas bem como. Irá extinguir secretarias importantes como da mulher e juventude? Vale lembrar que em todo o seu programa de governo as palavras “cultura popular”, “direitos humanos”, “negros”, “meio ambiente” não aparecem sequer um única vez em suas propostas. Ferreira governará para todos ou terá um governo orientado às suas crenças religiosas pessoais?

10. GOVERNAR NA CRISE
Por fim, será um desafio para o prefeito eleito encaixar suas promessas dentro do orçamento municipal em um cenário de perspectiva de crise econômica e instabilidade política.

Como cidadão jaboatonense desejo sorte, honestidade e muita competência a Anderson Ferreira. Encontrará da nossa parte uma oposição republicana e propositiva!

César Ramos

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