Holanda será comemorado no Cabo com lançamento de CD “Celina de Holanda e as Mulheres da Terra”

O Auditório Luiz Lacerda, no Cabo de Santo Agostinho, será palco no próximo dia 12 de agosto, do lançamento do CD “Celina de Holanda e as Mulheres da Terra”, em homenagem aos 100 anos desta célebre poetisa pernambucana, nascida na cidade, entre os engenhos Ipiranga e Pantorra. O CD Celina de Holanda e as Mulheres da Terra tem a participação de dezenove mulheres pernambucanas dedicadas à Literatura e foi organizado pelo poeta e desenhista, Jorge Lopes, e produzido pela Panamérica Nordestal, patrocinado pelas secretarias de Educação e de Cultura do Cabo de Santo Agostinho.

Durante o evento acontecerá, também, a entrega da comenda Celina de Holanda, criada pela Academia Cabense de Letras (ACL) para homenagear personalidades de mérito literário ligados à Poesia. “É uma forma de homenagear não só Celina, mas aqueles que dedicam trabalhos ao nome dessa poetisa da nossa terra e que é patrona da nossa Academia”, ressalta o presidente da ACL, o médico e escritor, João Sávio. O evento terá início às 15h e na programação também está previsto recital de poesias dentro do V Encontro “Celina de Holanda de Poetas Recitadores”. O auditório Luiz Alves Lacerda fica localizado próximo à Escola Modelo de Garapu, no Cabo de Santo Agostinho.

A ideia do CD ocorreu há 14 anos a partir da reflexão do poeta e desenhista pernambucano Jorge Lopes sobre a necessidade de reconhecimento e valorização da poesia de Celina de Holanda, a ‘Cecé’ para os amigos e familiares. Ele convidou mulheres ligadas à poesia pernambucana entre poetisas, jornalistas, professoras, produtoras artísticas, amigas e admiradoras de Celina de Holanda, entre elas uma conterrânea e também poetisa, a jornalista Tereza Helena Soares. “São 19 mulheres pernambucanas, identificadas na vida e na arte, à poetisa pernambucana. Elas emprestaram suas vozes para servir à audição da poesia desta importante e centenária autora de Pernambuco”, ressalta Juareiz Correia, que coordenou a produção e edição da obra. Ele lembra que Jorge Lopes convidou à época, pessoalmente, uma a uma para gravar em estúdio as poesias escolhidas por ele entre os sete livros editados da poetisa. Celina de Holanda escreveu mais dois livros que nunca foram editados.

Jornalista e poetisa, Celina de Holanda Cavalcanti de Albuquerque nasceu no município do Cabo, em 19 de junho de 1915, no Engenho Ipiranga, tendo depois de dez anos se mudado para o Engenho Pantorra. Posteriormente sua família se mudou para o Recife, onde Celina pode atuar na Imprensa. Publicou seus primeiros poemas nos suplementos literários do Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco e o primeiro livro (O Espelho e a Rosa) foi editado quando ela tinha 55 anos de idade. Além de participar de várias coletâneas – Palavra de Mulher, A Cor da Onda por Dentro, Antologia Didática de Poetas Pernambucanos, entre outras, sua obra é composta pelos seguintes livros: O Espelho e a Rosa (1970); A Mão Extrema (1976); Sobre Esta Cidade de Rios (1979); Roda D’água (1981); As Viagens (1984); Pantorra, o Engenho (1990); Viagens Gerais, de 1985, coletânea dos livros anteriores e mais os inéditos “A fogo e Faca” e “Tarefas de Ninguém”. Morreu no Recife, a 04 de junho de 1999.

Sobre Celina de Holanda, a Doutora em Estudos Literários na Universidade de Paris VII, Luzilá Gonçalves, afirma: “Enquanto ela era viva, a poesia dela não recebeu a atenção que devia. Apesar de termos outras grandes poetas mulheres, ela, junto com Deborah Brennand, é uma das duas maiores de Pernambuco”. O doutor em filosofia pela Universidade de Fribourg na Suíça, Armindo Trevisan, diz que “seu estilo é simples – a maior qualidade de estilo. As palavras possuem uma limpidez que encanta. Não há superficialidades em Celina de Holanda. A emoção vem de dentro, das profundezas, como esses fios de água que atravessam pedras e folhas”. Ao que o poeta maior Carlos Drummond de Andrade arremata: “Não sei de muitas vozes poéticas femininas que se equiparem à sua, pela limpidez do sentimento reflexivo e pela discrição da palavra”.

V Encontro “Celina de Holanda de Poetas Recitadores”

Considerado um dos únicos eventos do gênero em Pernambuco, o V Encontro “Celina de Holanda de Poetas Recitadores” foi criado pelo poeta e artista plástico Ivan Marinho e teve sua primeira versão realizada no ano de 1998, com a presença da poetisa cabense. Participam do encontro ícones da poesia falada de Pernambuco, como Miró, Jorge Lopes, Maciel Melo, Ivan Maia, Ivan Marinho, Tereza Helena Soares, Manoel Constantino, Lara, Sílvio Romero, Tuninho de Olinda, Valmir Jordão, Malungo, Eunápio Mário. Alguns já falecidos como Chico Espinhara, Vilma Lessa, Erickson Luna e França já passaram pelo palco do Encontro.

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