Artigo: Análise da gestão de Elias Gomes com a lupa do PSOL do Jaboatão

13892207_838268142940424_4864739069200617280_nO PSOL faz a mais dura crítica aos 8 anos do Governo Elias Gomes em Jaboatão. Legitimidade de quem fez e faz oposição séria, propositiva e sem se vender. Há ainda mais três tópicos que são de leitura obrigatória para quem deseja entender a conjuntura eleitoral da cidade

II – BALANÇO DO GOVERNO ELIAS GOMES
Uma análise justa deve deter-se em três questões fundamentais: o que o governo fez de bom, o que deixou de fazer e o que fez de ruim. Com um discurso de “esperança” e “vida nova”, o PSDB chegou ao poder em 2008 seduzindo a população que, atônita, assistia escândalos de corrupção de repercussão nacional envolvendo o então Prefeito Newton Carneiro, parentes e membros do primeiro escalão do governo. Com promessas eleitoreiras que, uma vez realizadas, trariam qualidade de vida para o conjunto da população, Elias Gomes saiu vitorioso de um processo eleitoral onde ele era o único ex-prefeito do páreo. A experiência, a tática de percorrer com antecedência os quatro cantos do município conjugado a uma injeção significativa de recursos financeiros no fim da campanha pesaram no resultado final.

Dada as condições excepcionais de sua vitória nas eleições de 2008, Elias Gomes perdeu uma oportunidade ímpar de moralizar a gestão, enxugar a máquina pública e abolir a corrupção, mas, em nome de uma governabilidade doentia, incorporou os “velhos” atores políticos que sempre governaram Jaboatão. O resultado foi a repetição das mazelas administrativas que sempre marcaram a política em nossa cidade. Manteve uma relação clientelista com a câmara dos vereadores, renovou contratos, dispensou licitações e manteve relações promiscuas com as mesmas empresas que sempre parasitaram os recursos públicos do município. Com uma roupagem de moderno e eficiente, que erroneamente o tem feito, por vezes, cair na graça da opinião pública estadual, contudo, de perto, a aparência não resiste a uma análise mais detida da realidade: o governo de Elias Gomes apenas “transformou a bodega em magazine”. Mudou a forma sem, contudo, mudar o conteúdo do modus operandi. O “balcão de negócios de madeira” onde operava Newton Carneiro hoje é de porcelanato. Enquanto prefeito, vale lembrar ainda, Elias Gomes também repetiu a ação oligarca de Geraldo Melo, Newton Carneiro e Rodovalho ao eleger parentes para mandatos eletivos. Betinho Gomes (seu filho) que nunca venceu uma eleição sem ter o pai de posse da máquina pública, saiu de um medíocre mandato de deputado estadual para o Planalto Central do Brasil.

Contudo, com um orçamento anual da ordem de R$1 bilhão seria impossível um governo passar 8 anos no poder e não ter ações louváveis, ao menos pontuais e efêmeras, à mostrar. Há de se reconhecer que iniciativas, uma vez analisadas isoladamente, como a elevação numérica do IDEB, a renegociação da dívida pública do município e a instalação de lixeiras coletoras na cidade foram medidas acertadas.

Das coisas que prometeu em campanha há 8 anos e até hoje não cumpriu, contudo, a lista é interminável: não construiu a maternidade municipal nem o novo hospital geral, não revitalizou a Lagoa do Náutico nem o rio Jaboatão, não pôs uma pá de cimento para sanear 40% da cidade, não atingiu a meta da criação das 130 novas Unidades de Saúde da Família, não criou as 40 novas escolas municipais, não eliminou os centenas de pontos de alagamentos e entre outras dezenas de promessas que ficaram apenas no papel. Prometeu, prometeu e não cumpriu! O saldo que fica do seu governo é um passivo socioeconômico que demorará muito tempo para ser sanado. Foram 6 anos sem carnaval, 7 sem São João, um dos maiores índices de dengue do estado, pior taxa de saneamento do Nordeste, por vezes, a cidade mais violenta da RMR e do estado, índice alarmante de homicídio e vulnerabilidade à drogas entre os jovens, nenhum parque público, apenas uma academia da cidade, degradação do patrimônio histórico, nenhuma moradia entregue até hoje, não reformou os mercados de públicos de Jaboatão Centro e Cavaleiro, não construiu nenhuma creche ou biblioteca, fechou e quis vender a única quadra de esportes municipal, no plano econômico agravou a dívida do município foi em seu governo onde nossa cidade foi rebaixada para o terceiro lugar no PIB estadual e escândalos de corrupção no setores, como caso Antônio Bernardi – Claudia Leitte, evidenciam que seu governo também falhou no campo da ética.

Em terra de cego, Elias Gomes é rei. É preciso, aqui, colocar este governo em seu devido lugar na história. O legado de uma administração se mede por aquilo que ela deixa estruturado enquanto política pública e não em obras de cal e padra. Se há algum mérito em sua gestão, este deve-se unicamente ao baixo parâmetro de comparação estabelecido. Só, e somente só, nivelado politicamente por Newton Carneiro e Fernando Rodovalho é que a gestão Elias Gomes consegue ter algum relevo. Em pé de igualdade com outros municípios do país, com arrecadação e população equivalentes, veremos que o resultado de quase uma década do governo tucano ficou muito aquém do que poderia ser feito e um enorme custo de oportunidade desperdiçado.

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